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Edição 1122
A indústria do barro em decadência
Dificuldades na obtenção de licenciamentos ambientais para extração de argila são as
 
Foto: Na Hora / Antonio Coloda   

o alicerce da construção civil, o tijolo de barro, aos poucos vai desaparecendo das lojas de materiais de construção. O motivo: o grande número de olarias que fecha as portas. Em Flores da Cunha, a baixa na indústria do barro tem sido, em média, de uma olaria a cada 2,5 anos.

Mas nem sempre foi assim. O auge das fabricantes de tijolos ocorreu na década de 1980, quando existiam, de acordo com o setor de contabilidade da prefeitura de Flores da Cunha, 17 olarias instaladas no Município. No entanto, nos últimos 20 anos, apenas uma empresa do ramo foi instalada, enquanto que no mesmo período oito encerraram as atividades. A mais recente a fechar foi a Olaria Lagoa Bella Ltda, em março deste ano, depois de 43 anos em atividade. O principal motivo para o fechamento foram as dificuldades na obtenção de licenças junto aos órgãos ambientais para extração da matéria- prima. Se continuar esta tendência, dentro de dez anos não haverá mais nenhuma olaria instalada em Flores da Cunha.


Valmor Rech: “Se continuar desse jeito, não vai longe vamos ter que fechar também”.

Dificuldades
Segundo um dos sócios proprietários da Olaria Bett e Rech Ltda, Valmor Rech, com a restrição na extração de argila e com as dificuldades encontradas na contratação de operários é quase impossível continuar com a atividade ainda por muito tempo. “Se continuar desse jeito, não vai longe, vamos ter que fechar também”, prevê Rech. A empresa é administrada por ele e outro sócio, Jaime Bett, com auxílio de um dos filhos de Bett. Os três produzem, em média, 25 mil tijolos maciços por mês, mas poderiam produzir bem mais se não houvessem tantos empecilhos.

A empresa utiliza métodos primitivos na produção dos tijolos. Mesmo desta forma, “se desse para continuar na atividade, daria para viver”, completa Bett. No entanto, os problemas não se resumem apenas na extração da matéria-prima. O cozimento dos tijolos depende de lenha ou resíduos de madeira, que também necessitam de licença. Esta é mais uma das barreiras impostas pelos órgãos ambientais e que está dificultando a sobrevivência das olarias na região e sepultando uma das mais antigas profissões: a de oleiro.

Encontrando caminhos

A história das olarias no município data mais de um século, quando boa parte delas se dedicava a fabricação de telhas, como à Olaria Manfro Ltda., localizada em São Cristóvão e que há cerca de 60 anos está sendo administrada pela família Francescatto.
Conforme o gerente Jorge Francescatto, até 1980, a empresa produziu telhas de barro. A partir daí, as atividades se voltaram para a fabricação de tijolos de seis e 21 furos. De acordo com o gerente, depois de trabalhar durante 12 anos para a Olaria Constantino Manfro Ltda., seu pai, Bonfiglio Francescatto, falecido há 14 anos, assumiu, por volta de 1952, a empresa, permanecendo por mais 30 anos.

Atualmente, a olaria emprega seis operários e produz, em média, 140 mil peças por mês. Apesar dos investimentos feitos e a forma industrial de produzir tijolos, as dificuldades enfrentadas são praticamente as mesmas de outras empresas que já fecharam ou que estão com as portas semi-abertas. Segundo Francescatto, que administra a empresa juntamente com a esposa Cecília e o filho mais velho, Ramon, grande parte da matéria-prima utilizada na fabricação dos tijolos vem de fundições de prédios em construção e de outras obras, especialmente abertura de novos açudes. No entanto, as perspectivas futuras não são nada animadoras. “A tendência é que vai acabar as olarias”, projeta. Já prevendo um futuro não muito promissor, Francescatto pensa em outra alternativa para substituir o barro na fabricação de tijolos. A iniciativa deve ser colocada em pratica ainda este ano, sem, no entanto, desativar a produção do material de argila, pelo menos num primeiro momento, garante. Além disso, é preciso abrir mercado para o novo produto.


Olaria na Lagoa Bella, que funcionou durante 43 anos, fechou as portas no início de março.

Como funciona uma olaria
A profissão de oleiro é uma arte que consiste ao homem transformar o barro informe em tijolos, telhas ou cerâmicas. No Brasil, existem diversos tipos de olarias, sendo algumas próprias para a fabricação de tijolos. A argila, geralmente, é extraída de alguma lagoa ou banhado perto da olaria. Após isto, a argila é estocada e deixada ao sol para ocorrer a decomposição de matérias orgânicas que estiveram junto do barro no momento da extração. Após o tempo de cura (que é determinado pelo proprietário da olaria), a argila é processada através de uma amassadeira e segue para o corte. O passo seguinte é a secagem das peças, que são estocadas em pavilhões e, em seguida, colocadas em fornos para cozimento. Somente para o cozimento são necessários cinco dias de fogo direto, sendo quatro dias de fogo baixo e um dia de fogo mais intenso.


Material utilizado no cozimento de tijolos também precisa de licença para ser queimado.


Francescatto pretende substituir a argila na fabricação dos tijolos.




Por Antonio Coloda
Data: 30-07-2010
 
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2010 Jornal O Florense