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Imagens & Palavras
Márcia Tolotti
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Márcia Tolotti é mestre em Letras e Cultura Regional, especialista em Psicologia Clínica, Psicologia Organizacional e do Trabalho e possui MBA em Marketing. Atua profissionalmente em atendimento clínico, já coordenou e executou projetos comunitários como o Agricultura Lucrativa Familiar e Colônia Valorizando a Vida.

Colabora do jornal O Florense na coluna “Imagens e Palavras” desde o dia 10 de dezembro de 2004, Márcia Tolloti já foi palestrante do maior eventode educação financeira da América Latina - a Expo Money – e coordena programa de educação financeira in company e da pesquisa “A Cultura do Endividamento, em parceria com a Faculdade Montserrat. Ela também é sócia da empresa Moddo – Conhecimento Estratégico.

Já publicou as obras “As Armadilhas do Consumo, acabe com o endividamento” (Ed. Campus, 2007), “Passageiros do Outono, Reflexões sobre a velhice” (Ed. Maneco, 2005) e Sementes do Tempo, agricultura lucrativa familiar”. (Ed. Maneco, 2008).

Recordar o Natal
Márcia Tolotti
 

Muito embora o processo de recordar assuma uma forma simples e aparentemente sem maiores conseqüências, encerra em si a possibilidade de acesso ao inconsciente, uma vez que, o esquecimento está, quase sempre a serviço da interceptação, ou seja, do tirar de cena determinada situação e segundo Freud: “quando o paciente fala sobre estas coisas ‘esquecidas’, raramente deixa de acrescentar: ”Em verdade, sempre o soube; apenas nunca pensei nisso”, estando o sujeito em análise ou não, o processo é o mesmo.
Por outro lado, a repetição, distintamente do recordar puramente, se instala através do agir levando o sujeito a reprodução de situações anteriormente vividas. Isso é engendrado pela compulsão, compulsão à repetição, uma vez, que a repetição é uma transferência do passado esquecido para a atualidade. Seja pela repetição, seja pela recordação, ao evocar um fragmento do passado, não se instala um processo inócuo, pois qualquer lembrança guarda consigo uma gama de significados, de sentimentos, de ressentimentos, culpabilizações, enfim, comporta afetos entrelaçados, que formam a cadeia significante. Portanto, recordar nunca é, unicamente, um exercício exclusivamente mental no sentido de conter somente elementos intelectuais.
Sendo assim, recordar o natal não pode ser um simples exercício de memória ou de compra, mas uma busca pelo significado, pelo que representa, efetivamente, o Natal e que certamente não é o consumo, ou é?

2010 Jornal O Florense